UM LUGAR DESCONHECIDO
Güibbi já não enxergava mais nada, o flash de luz quase o deixou cego. Quando voltou em si não sabia onde estava. O lugar em que estava era um tanto diferente, como se estivesse no quintal da casa, foi então que o jovem percebeu que não estava mais no porão.
─ Por trinta Dragões! Onde estou?
Güibbi sabia da história, de como surgiram os boatos, mas não sabia como a pedra funcionava, nem mesmo como sua mãe havia morrido, pois para ele, sua mãe havia morrido pouco antes de nascer, pelo menos isso era o que o tio dizia. Na noite em que o dragão matou a mãe de Güibbi, sem pensar duas vezes Mellowyng aparatou com o mesmo ainda recém nascido, tal coisa impossível acontecer aos olhos de quem vivia naquele mundo ainda desconhecido pelo jovem, porem como em todos os acontecimentos já ditos neste novo mundo envolva Mellowyng, há de se entender como este mundo era tão real aos olhos de Güibbi agora presenciando tudo, pois quem se atrevesse a deslumbrar aquela pedra mágica, jamais voltaria. Mellowyng sabia bem disso, pois foi isso o que aconteceu a mãe de Güibbi.
A visão voltava pouco a pouco ao jovem, o lugar era bem diferente do porão, o chão em que pisava era relvado, Güibbi percebia que quer o que fosse ser o lugar onde estava ainda era manha.
─ Onde estou? Que lugar é este?
Assim questionava ele consigo mesmo, Güibbi falava como se soubesse que não estava mais sozinho, parou, olhou para os lados e resolveu andar pelo lugar. Seguiu uma trilha que ia em direção ao leste, o lugar era lindo, diga-se de passagem. Güibbi maravilhava-se ainda mais com o lugar, o que via era impressionante, ainda mais para ele que mal saía de casa, sempre seguindo o mesmo caminho, a mesma rotina, da casa para a escola, embora a vila em que morava tivesse toda aquela magia.
Ao lado o jovem via as arvores que cortava toda a extensão e que cobria todo o lugar, quanto mais caminhava percebia que mais arvores trilhavam o caminho, até onde seus olhos podiam avistar. Güibbi percebia que o lugar tinha algo em comum com o lugar de onde veio, até que finalmente se lembrou.
─ São as arvores. (Assim dizia o jovem para si mesmo).
As arvores mostravam-se tão altas e fortes quanto a arvores do vilarejo onde morava. Güibbi sentia que as mesmas fossem talvez ainda mais altas do que as arvores que agora se lembrava, era como se as arvores do vilarejo fizesse parte daquele novo mundo ainda tão desconhecido, mas da mesma forma mágico e diferente para ele.
Güibbi andava em meio a arvores que agora guardava o brilho do sol com suas copas tão altas e tão grandes, até que encontrou um grande lago no meio da trilha que seguia entre as arvores. Ao olhar novamente ainda com mais clareza, Güibbi podia ver que não se tratava de um simples lago, mas que também havia uma cachoeira, uma pequena cascata, a água era clara como as nuvens que cercavam o céu, pois podia ver tudo através do lago que refletia tudo como se fosse um grande espelho. Porém agora o jovem vendo tudo a sua frente, perguntava-se como aquilo poderia se possível.
─ Não entendo. Como pode ser possível uma cachoeira nascer em um lago? Para onde vai toda essa água?
O jovem admirava o lugar, como se também da mesma forma o estranhava, mas embora tivesse certo receio de estar em um lugar tão estranho e da mesma forma belo como aquele, a vontade de beber aquela água cristalina e diferente era tão grande, que assim ele a fez. Güibbi bebeu daquela água, admirou novamente o lugar e caiu num sono profundo à margem do mesmo que de tão cristalino, parecia infinito.
O grande lago levou Güibbi às profundezas de um sono interminável que o deixou inconsciente por todo o percurso. Talvez você possa se perguntar como Güibbi possa ter percorrido um percurso tão grande, sendo que o mesmo estivesse em um lago, mas essa era somente a primeira pergunta de muitas que ao longo da história Güibbi fará a si mesmo.
No sonho Güibbi se depara com uma mulher, a mesma tinha um semblante alegre, com um longo vestido branco com purpurina, fazendo assim com que o mesmo brilhasse tanto quanto uma estrela, mas também tinha um colar, o jovem não entendia bem, mas no sonho ela o entregava a ele. O sonho já se repetia por muitas vezes, talvez sempre, assim poderia pensar ele, pois Güibbi tinha esse mesmo sonho há muito tempo desde que nasceu morando com o tio.
Quando acordou, sentiu a brisa tocar seus cabelos, as arvores se mexerem, como em um espetáculo que espera as cortinas serem abertas para mostrar sua magia e sua beleza, em fim já era noite.
─ Está ficando frio! Preciso encontrar um lugar para me aquecer e descansar.
Güibbi foi à procura de abrigo ainda se perguntando como fora parar ali, até que de repente ao longe avistou uma caverna, não pensou duas vezes, foi correndo de encontro com a mesma. A fome, o frio e o cansaço eram tão grandes que na verdade o jovem nem se preocupou se poderia haver algum ser vivendo ali, pois afinal quando se encontra em condições como esta você sempre acha que está sozinho, mas não foi o que aconteceu a Güibbi. Ao entrar na caverna, Güibbi foi surpreendido por duas criaturas, e sem perceber foi encurralado.
─ Quem está ai? (Assim dizia ele sem saber do que se tratava).
Güibbi não conseguia ver nada, a caverna era escura, mas com dificuldades podia ver algumas coisas. A mesma se mostrava um tanto obscura aos seus olhos, pois nunca em toda a sua vida Güibbi havia entrado em uma caverna, talvez por não existir cavernas em Capíli, assim pensava ele, ou por talvez não precisar.
Güibbi relembrava agora com um pouco de dificuldade da primeira vez que conheceu a Mídullas, pois pensava que se na ocasião tivesse encontrado uma caverna, não hesitaria em adentrar por ela.
Na caverna, Güibbi podia ver mesmo ainda com um pouco de dificuldade, isso dada pela escuridão que havia no lugar, mas o que via era de fato surpreendente. O jovem via que mais a frente, lá ao longe havia um lago, porém este se mostrava mais sombrio, mas isso era pouco diante do frio que o garoto sentia, embora me presuma que o jovem não se atreveria a bebê-la novamente.
O chão era pedregoso, porém o que mais chamava a atenção do jovem era o teto da caverna, pois olhando ainda mais de perto, Güibbi podia ver que não se tratava de uma simples caverna, mas sim uma gruta, pois no teto havia rochas pontudas semelhantes a presas caninas, e dessas rochas que havia no teto da mesma, pingavam gotas d’água que desciam uma a uma deslizando por entre as rochas até caírem no lago formado na caverna.
O vento lá fora ecoava cada vez mais forte, a chuva começava a cair vagarosamente. O vento aumentava e junto com ele o frio, Güibbi já começava a tremer. A chuva aumentava ainda mais, as arvores balançavam fazendo um som estridente ao sentir o vento tocá-las. Tudo mudava, o céu ficava ainda mais escuro do que de costume ou do que se possa pensar, ainda mais aos olhos de Güibbi que via tudo dentro de uma caverna. Raios, muita água e rajadas de trovões, Güibbi sentia certo receio de estar ali mesmo dentro de uma caverna, cercados por tantas arvores.
Então ele foi até a saída da caverna para ver como estava o tempo lá fora. A chuva era tanta, que o lugar ficou irreconhecível aos seus olhos, pois com o temporal, toda a beleza se fora. Güibbi se lembrava agora de como era o lugar quando chegou ali. Os pássaros cantavam, as arvores balançavam, o frescor que as mesmas exalavam era tanto, que Güibbi sentia a vida tocar em seus cabelos.
Não havia coisa melhor (assim pensava ele), mas logo voltou em si, pois com tudo o que lhe aconteceu, não era de se estranhar que o jovem estivesse cansado. Güibbi sentia o cansaço tomar conta de seu corpo até que finalmente resolveu dormir. O jovem deitou a beira do lago que havia no fundo da caverna, porém a chuva ainda era bem forte, embora o sono do jovem também fosse. O sono era intenso, e conforme o tempo passava mais intenso ficava, como se o tempo estivesse parado dentro da caverna.
Com o tempo a chuva parou, porém o jovem ainda sonhando sentia muitas dores, estas muito fortes, como se estivesse levando marteladas na cabeça, até que em fim foi despertado pelas gotas d’água que caiam do teto e se misturavam nas águas do lago.
Güibbi acordou ainda confuso com o tempo, sem saber se já era dia, ou se ainda era noite. O jovem se levantou e viu que ainda era noite embora o sonho se mostrasse tão duradouro. A caverna estava solitária, pois já não se ouvia nem o barulho da chuva, do balançar da arvores, os relâmpagos e nem mesmo os trovões, porém a única coisa que poderia se ouvir eram os pingos d’água que deslizavam por entre as rochas e que se chocava com a superfície do lago .Então foi em direção a saída da caverna a fim de saber como estava o tempo lá fora , porém ao sair foi surpreendido por duas criaturas. Güibbi correu em direção do lago que existia lá dentro, a fim de se esconder por entre as rochas que havia em torno do mesmo, mas sem perceber foi encurralado e disse:
─ Quem está ai?
As criaturas o cercaram, o que Güibbi menos esperava. Duas criaturas, com menos de um metro e meio, cabelos longos e barbas que chegavam até os joelhos, foi isso o que viu então os mesmos disseram.
─ O que faz por aqui um forasteiro? Há muito tempo não vemos humanos por estas bandas. Qual é o seu nome jovem rapaz?
─ Meu nome é Güibbi!
Os anões deram um passo para trás como se já soubessem quem era o garoto, (Diga-se de passagem).
─Eu estava no porão da casa do meu tio, quando de repente avistei uma bola de cristal e a peguei, vi um clarão e quando percebi já estava aqui. Agora preciso de ajuda para voltar, mas não sei como fazer isso.
Os dois se entreolharam, como se já soubessem o que iria acontecer, como se o passado estivesse entre o presente, até que um deles falou:
─ Péssima escolha meu rapaz! Meu nome é Irwin, e este é Imlin. Nós viemos do norte e estamos aqui, pois haverá um Grande Conselho.
─ Conselho? Por quê? (Assim questionou o jovem).
Os anões se entreolharam novamente e Irwin respondeu:
─ Meu jovem. Há muitas coisas que vocês humanos não podem compreender, aliás, nem todos podem ver o quadro todo desta história.
─ Estas terras que agora por onde você anda, eram divididas parte-a parte devido às raças para que não houvesse conflitos entre elas. Houve um Grande Conselho, e esse conselho dividiu as terras desta maneira.
─ Ao norte, nós os anões, ao leste os Élfos. No sul os Órc’s Ogros e Troll’s, e ao Oeste os Dragões e Iguanas Selvagens. Estes são os pontos principais, mas os outros são aliados. Porém Güibbi, o que mais nos preocupa é que um misterioso mago reuniu as pontas aliadas para seu domínio. Seu nome é Óggi... É de natureza cruel e maligna. Óggi criou um exercito para conquistar todas as outras pontas e reinar sobre todas as terras e reinos que por ai ainda resistem.
─ E o que devemos fazer?(Perguntou o rapaz apavorado).
Os anões observaram, mas não disseram nada, até que Irwin perguntou.
─ Como disse mesmo que era o nome de seu tio?
─ Eu não disse, mas o nome dele é...
De repente, antes que o jovem pudesse terminar a frase, os três são interrompidos por um barulho do lado de fora da caverna e são surpreendidos por dois élfos.
─ Quem está ai? Perguntou Irwin, mas foram recebidos á flechadas.
Não houve resposta, até que Irwin avistou uma sombra e arremessou seu machado que se prendeu exatamente na entrada da caverna. Houve um silêncio mortal, até o vento fazia eco. Porém os Élfos lá fora, viram um pequeno detalhe no machado que lhes chamou a atenção, então resolveram entrar.
─ Quem está ai?(Perguntou os anões).
─ Somos Élfos!(Responderam os dois). ─ Meu nome é Sharagohv e este é Jevolás, viemos do Quarto Sul para o Grande Conselho que haverá amanhã ao nascer do sol. Nós ouvimos sussurros e resolvemos vasculhar pensando ser um Órc miserável, pois nos tempos de hoje, eles andam por ai sem se importarem se estão fora de sua área, ainda mais após cujo aquele que os reuniu está ainda mais forte.
Neste momento o semblante de Irwin aparentou-se melhor e disse:
─ Nós os vimos e também pensamos que seriam órc’s, mas não podemos confiar nas sombras... Meu nome é Irwin, este é Imli e este é Güibbi, um forasteiro.
─ Ora, ora... O que faz aqui um forasteiro?(Retrucou Sharagohv).
─ Isso não vem ao caso agora!(Disse o anão). ─ Precisamos chegar logo ao conselho.
─ Conheço um atalho. (Disse Imlin, que ouvia tudo ao lado).
Então todos concordaram e seguiram o anão que parecia bem, seguro do que fazia...
Nossa mudou a historia toda!... interessante
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