O REINO DE DARGON
Neste momento os cinco já saiam da caverna, primeiro Sharagohv, seguido por Jevolás, Irwin, Imlin e por ultimo Güibbi. O sol lá fora já havia voltado e aos poucos a claridade tomava conta de todo o lugar, tudo voltava a ser como antes, a grama estava molhada, os pássaros cantavam, as arvores balançavam, e com elas, os pingos D’água escorriam pelo tronco das mesmas que agora cercavam uma pequena estrada por onde eles passavam.
O jovem nunca vira antes algo assim tão fascinante como este reino. Tudo parecia estar vivo, as arvores, os pássaros e as montanhas. Todos se deslumbravam, mas o sobrinho do mago ficava ainda mais fascinado com tudo o via e sentia. Güibbi ainda via aquele mundo de maneira curiosa, talvez por já ter ouvido tantas histórias de um lugar parecido com aquele. Lembrava-se agora com ainda mais dificuldade de quando certo amigo o visitava e o tio lhe contava histórias fantásticas. Talvez pensasse ele agora, como seria se o tio estivesse ali com ele, vendo tudo o que havia dito acontecer diante dos teus olhos. Güibbi cresceu ouvindo as mesmas e agora podia jurar que elas são reais.
Tudo lhe parecia ter sentido, com se cada coisa tivesse o seu valor, cada cantinho, a grama, insetos e até mesmo as folhas soltas tivessem uma importância significativa, como uma jóia que se perde. Contudo ele estava certo, era o lugar... Tudo tinha cheiro de magia, tudo cooperava para a beleza ser eterna. O jovem observava, estava fascinado, na verdade até se esqueceu que não estava mais na casa do tio, como se o destino o trouxesse de propósito, sentia que estava reencontrando o lugar e que tivesse sido retirado Dalí a força.
Na verdade ainda tinha muitas duvidas, principalmente de como fora parar em outro lugar através de um lago, mas ainda não havia dito nada desde que haviam saído da gruta, até que Irwin perguntou:
─ Diga-me forasteiro! Como pode estar dentro da caverna, se não o vi entrar?
O rapaz olhou um pouco desconfiado, mas embora não gostasse do termo referido a ele, respondeu:
─ Na verdade não sei. Não estava lá!(Disse ele).
─ Quando cheguei, o lugar era bem diferente deste em que estamos agora. Andei muito até que encontrei um lago, não sei se estou certo, se por acaso estava tendo ilusões, mas neste lago tinha uma cachoeira... Então bebi e não vi mais nada, quando acordei já estava na frente da caverna e resolvi entrar, começou a chover e cai num sono profundo. O sonho era bem estranho, então acordei e você estava na entrada da gruta.
Os anões se entreolharam ao ouvir aquilo, juntamente com os elfos que seguiam na frente, o brilho do sol neste momento se resguardava devido as sombra das arvores que os cobriam. O vento estava parado, embora o jovem percebesse que mesmo assim as arvores ainda pareciam se mexer, mas isso só poderia ser notado se prestassem muita atenção. Assim Güibbi percebia tudo ao seu redor, pois mesmo andando, olhava muito aquele novo lugar, até que então pararam a beira da estrada e Irwin disse:
─ Aquele não era um simples lago!
─ Como assim?(Perguntou o garoto).
─ Isso mesmo. A água que você bebeu é diferente das outras, pois embora ela também possa ter saciado a sua cede, ao contrario do que você pensa, ela não serviria para aquilo, pois aquele lago é um portal!
─ Um portal?! (Güibbi olhava com os olhos estalados).
─ Sim, um portal. Tem que tomar mais cuidado com o que faz forasteiro! Não se esqueça que tudo aqui é diferente do lugar que você veio, mas acho muito estranho você estar aqui.
─ Como assim, por quê?
─ Você faz muitas perguntas! (Retrucou o anão).
─ Se por um acaso o destino lhe permitisse que não estivesse aqui, certamente não teria bebido daquela água. Aquele portal faz coisas inacreditáveis, pois ao bebe La lhe revelou o mais desconhecido sentimento, ele realiza o mais obscuro desejo por mais oculto que seja, pois se não fosse por essa causa, acredite... Você não estaria aqui.
─ O que quer dizer com isso?
─ Ou você realmente deseja estar aqui mesmo sem saber, ou o destino simplesmente lhe trouxe aqui, mas não por acaso.
Güibbi ficava pensativo, não entendia bem o que o anão queria dizer com “ser predestinado a estar ali”, mas lembrava-se agora das histórias do tio, e que juntamente com seu amigo desejava muito estar em um lugar parecido com aquele em que estava agora, porem, Güibbi sentia que a cada segundo que se passava, tinha ainda mais dificuldade de se lembrar do amigo e também das histórias que ouviam o tio contar.
As horas se passavam, e junto com ela o dia ia embora ofuscando o brilho do sol, que o tempo mudava, agora era possível ver as arvores se mexerem devido a força do vento que aumentava e as sopravam fortemente, então perceberam que a noite se aproximava.
─ A noite se aproxima! Devemos acampar aqui por esta noite. (Disse Sharagohv).
─ Vamos dormir aqui esta noite? Quem sabe se andarmos mais depressa possamos chegar logo!(Indagou Güibbi).
─ Não, não há tempo!(Completou o élfo). Já andamos muito por hoje, o caminho é longo e, aliás, já estamos caminhando à noite por um bom tempo. A floresta é fechada e não se pode saber exatamente quando é dia ou quando é noite. É preciso que saiba forasteiro. Há muitos perigos a solta em florestas e cavernas muito além do que você sabe pelas quais a escuridão abriga, fique atento!
─ Imlin!
─ Sim Senhor!
─ Trate de arrumar um abrigo para o nosso jovem, ele parece estar bem cansado. Também preciso que você fique na guarda hoje, conhece este caminho melhor do que eu e sabe os perigos que o assombra.
─ Sim farei isso! Güibbi venha comigo, preciso lhe mostrar algo.
Enfim era noite, a escuridão tomava conta de todo o lugar, então Güibbi com o anão percebeu que estavam se afastando do grupo e perguntou:
─ Onde estamos indo?
─ “Xii” Quieto! Não podemos faze barulho. (Sussurrou o anão). Não se esqueça, ainda estamos na floresta. Eu lhe trouxe aqui porque quero que pegue gravetos, vamos fazer uma fogueira, a floresta é muito fria à noite.
─ Sim!
─ Pegue o Maximo que puder, não sabemos o que a noite nos reserva, não fique muito longe, pode se perder.
A floresta estava quieta, não se ouvia si quer um barulho, nem mesmo dos pássaros, nem o balançar das arvores, toda a floresta dormia, o único som que se ouvia eram as passadas que aos poucos se desgastavam e pesavam devido o peso que os mesmos carregavam. A noite era fria e cada vez mais obscura, no céu não havia estrelas, pois não era possível vê-lo devido à quantidade de arvores que escondiam o mesmo, a escuridão da noite se misturava e se propagava por toda a floresta, até que Imlin acendeu a fogueira.
Não era de se estranhar que realmente estivessem famintos, contudo, Güibbi lembrava-se que já estavam a um bom tempo naquele lugar e que não comia desde que havia entrado no porão, então pegou alguns cogumelos e acendeu ao fogo, ficou um bom tempo perto da fogueira ainda olhando para o céu, mas não via nada. A escuridão era cada vez mais intensa então Imlin que estava na guarda o chamou e disse:
─ Güibbi, é hora de dormir, logo o sol nascerá e a jornada continua.
─ Sim, já vou.
Güibbi comeu o ultimo pedaço do fruto e foi dormir, sentia o sono e o cansaço tomar conta de seu corpo. Ao virar-se percebeu que havia quatro barracas, em uma delas estava Sharagohv, na outra estava Jevolás, na outra Irwin, e a outra vazia, esta que pertence a Imlin.
─ Pode dormir em minha barraca Güibbi.
─ Obrigado, mas não vai dormir?
─ Não. Estou na guarda hoje... Pode usá-la.
O cansaço se mostrava cada vez maior, então Güibbi entrou na barraca que se mostrava ainda maior ao olhar por dentro, a mesma era quente e confortável, aos poucos tudo se afastava, as vistas escureciam, sua mente estava ainda mais confusa e sem perceber dormiu deixando a realidade. Güibbi começava a ter muitos sonhos, porém era sempre o mesmo. No sonho, Güibbi se depara com uma mulher, a mesma tinha um semblante alegre, com um longo vestido branco com purpurina, fazendo com o mesmo brilhasse tanto quanto uma estrela.
A tal mulher tinha um colar, e esse sonho se repetia por muitas vezes ao longo do tempo que o jovem dormia, contudo o que mais intrigava Güibbi mesmo estando dormindo, é que ela entregava o colar a ele, e por mais que tentasse lembrar o que significava aquele gesto, não conseguia se lembrar... A única coisa que se lembrava era de já ter sonhado com aquilo muitas vezes. O sonho já se repetia por muitas vezes, Güibbi sentia que a realidade se distanciava a cada vez que o sonho se repetia. A manhã era fria e vazia, até que por fim o jovem despertou suado e assustado.
─ Ufa!...Era só um sonho!
Ao sair da barraca, viu que já estavam todos acordados embora pensasse ele que ainda era cedo. O sol já brilhava com muita força, e já podiam sentir mais viva, os pássaros cantavam, as arvores se mexiam e faziam com que o orvalho descesse e cobrisse toda a vegetação rasteira que envolvia aquele lugar, já havia se passado meio dia. Tudo era muito maravilhoso e vendo aquilo, Güibbi tinha a impressão de que a floresta renascia a cada dia que ressurgia, até que o seu pensamento é interrompido por Sharagohv.
─ O sol já nasceu, um novo dia recomeça e a jornada continua, arrumem tudo e desfaçam as barracas, temos que chegar ao Grande Conselho antes do por do sol.
Imediatamente desfizeram tudo, aos poucos o ritmo da caminhada voltava e enfim saíram da floresta. Ao olhar para frente, Güibbi avistou uma vegetação rasteira que cobria todo o horizonte até onde seus olhos podiam avistar o jovem ficou impressionado ao ver, (Como se isso fosse possível acontecer), era algo diferente, ao longe podia ver montanhas contornar horizonte, arvores muito altas, mas estas eram umas longe das outras, e lagos, estes que poderia ver muito cristalinos, a paisagem era bem diferente, como se o novo lugar fosse um mundo diferente do que até agora havia passado, até que exclamou a si mesmo.
─ Que lugar é este?!
─ Não é um simples lugar!(Respondeu Sharagohv). ─ É um Reino, tudo isso é Dargon... Este lugar era mais feliz antes de Óggi aparecer.
─ Como assim, por quê?
─ A história toda eu já lhe contei, mas aqui, Dargon, é onde Óggi habita, do outro lado das montanhas. Nós os élfos nos escondemos por aqui, em algum lugar.
─ E onde eles estão?(Perguntou o jovem curioso). ─ Estão por aí! Eles já nos viram, mas nós ainda não. Os élfos têm uma visão muito aguçada, podemos ver á dias de distancia daqui, vamos esperar.
Continuou a caminhar talvez o bastante para se preocuparem com os élfos, até que o jovem confuso sem saber o que pensar retrucou dizendo:
─ Esperar o que?
─ Eles estão aqui!
De repente, tudo que parecia quieto se movimentou, élfos vinham de toda parte, e quando perceberam já estavam cercados.
─ Quem são vocês?(Perguntou um dos élfos).
─ Eu sou Sharagohv, este é Jevolás, estes são Irwin e Imlin, e este é Güibbi.
─ Ora, ora, o que faz um humano dentre nós?
O jovem não gostou muito, mas logo se explicou.
─ Sou Güibbi, eu estava no porão da minha casa quando avistei uma pedra... Ela brilhou e quando percebi já estava aqui.
Todos o olharam numa certa desconfiança, o jovem estava falando a verdade, mas ninguém sabia ao certo se aquilo havia mesmo acontecido. Os anões não confiavam plenamente em Güibbi, mas sabiam que era melhor estar com ele do que um perigo a solta.
─ E qual é o seu nome?(Perguntou Güibbi fitando-o).
─ Meu nome é Hangly, somos uma Comitiva do Oeste, estive
Mos lá em missão! A Comitiva é formada por sete guerreiros, viemos para o Grande Conselho ,se também vão, podem nos acompanhar.
O bando estava formado, os sete élfos da Comitiva do Oeste, Sharagohv, Jevolás, os anões Irwin e Imlin do norte e o jovem Güibbi que amenos sabia por que estava ali. Todos caminhavam para a província de Dréllfuor, para o Grande Conselho de Dargon, quando ao longe Jevolás avistou uma luz intensa em forma de fogo vindo em direção ao grupo e disse:
─ Tem algo vindo aí! Vejo uma luz intensa vindo do norte e que se aproxima rapidamente do grupo... Fiquem atentos!
─ Também posso ver!(Disse Sharagohv). ─ Ainda está um pouco longe, talvez a um dia de distancia, mas a essa distancia logo chegará aqui.
─ E isso é bom? (Perguntou Güibbi).
─ Não! Se não estiver do nosso lado.
Güibbi ficou pensativo, porém não disse mais nada, todos estavam quietos, o bando caminhava em silencio, estavam em campo aberto e poderiam facilmente ser vistos apesar de estar quase escurecendo. Aos poucos o sol se esfria deixando o ambiente menos luminoso. O grupo caminhava em passos lentos, cuidadoso olhando para os lados em fia indiana, quando de repente foram surpreendidos por órc’s, muitos órc’s vindo da floresta correndo na direção deles.
─ Corram!(Disse Sharagohv). ─ Estamos em numero menor.
Imediatamente todos correram em direção ao norte a fim de se esconderem por entres as arvores. A cada passo os órc’s se aproximavam ainda mais, até que pararam. Todos ficaram apostos, mas não Güibbi. O jovem se escondeu por de traz de uma moita e ali ficou. Os orc’s marchavam rapidamente na direção do grupo com arcos e alguns machados, quando de repente foram surpreendidos por um clarão em forma de fogo e saíram correndo desesperadamente. Só ficou o grupo que seguia para o Grande Conselho. A luz era muito forte e a cada momento que tentavam olhar seus olhos ardiam com se estivessem olhando para o sol.
O que vinha não tinha forma, nem mesmo aos olhos dos élfos que conseguem enxergar a uma distancia inacreditável. Todo o bando atirava, os élfos flechavam sem parar, mas as flechas não tinham destino certo aos seus olhos. Güibbi não tinha nada, amenos sabia manejar uma espada, mal sabia também o que o destino o reservaria, estava lá escondido em uma moita e vendo seus companheiros atirar, até Sharagohv intervir dizendo:
─ Quem está aí?
De repente a luz se esvai e logo percebem que era um velho, de chapéu pontudo e com um manto reluzente acompanhado de um velho cajado sobre um cavalo... Tratava-se de Mellowyng.
─ Esqueçam das armas! Estou aqui em missão de paz!
Todos logo perceberam que se tratava do mago e imediatamente se curvaram. Güibbi estava lá, escondido na moita que agora parecia cada vez menor, não se mexia apesar de tremer de medo. O jovem tinha medo que o tio descobrisse tal feito, mas nunca poderia imaginar que o mesmo fosse um mago.
─ Oh Grande Mago! O senhor veio em boa hora. (Disse Sharagohv).
─ Estávamos sendo atacados por um bando de órc’s. Estamos em guerra. Óggi reuniu um grande exercito para conquistar toda Dargon.
─ Mas isso é inaceitável!(Disse o mago indignado). ─ Vamos reunir o Grande Conselho e comunicar o grande Comissário Filleng.
─ Já fizemos isso Senhor! Estamos á caminho para o Grande Conselho, mas como já sabia disso?
Mellowyng o fitou e disse:
─ Não sabia. Eu vim à procura do meu sobrinho Güibbi, a hora dele chegou!
Todos estavam surpresos, amenos passou pela mente de qualquer um dentre eles que aquele era o jovem que havia sobrevivido á garra do dragão.
─ Então aconteceu! (Disse Sharagohv). ─ Levante-se forasteiro!
Güibbi levantou-se de trás da moita com um olhar triste, pois tinha medo de decepcionar o tio, mas Mellowyng vendo aquilo olhou dentro dos olhos do garoto e disse:
─ Meu filho! Eu sei com se sente, mas esta é a sua terra, o seu lar, o seu povo e você logo verão que a sua hora chegou.
Em fim o caminho já havia sido feito, e como num passo de mágica todos já podiam ver Dréllfuor cada vez mais viva e imponente atrás deles, como se tivesse sido colocada ali á mãos. Finalmente chegara a hora do Grande Conselho.
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