quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

CAPÍTULO 5

       O GRANDE CONSELHO

     Güibbi não entendia bem o que o tio queria dizer com aquelas palavras, mas olhavam-no com um olhar de surpresa e espanto, pois nunca havia visto o tio daquela maneira antes, nem com aquelas roupas e nem com aquele semblante tão imponente que agora mudava ao falar com ele.
     O que mais o impressionava e ao mesmo tempo também o assustava, era que o tio sempre lhe contava histórias sobre aquele lugar, mas nunca colocou a si mesmo no contexto, contudo via ao lado aquele imponente cavalo que puxava aquela antiga e velha carroça e que se transformou um bravo integrante do Reino de Dargon, com uma armadura de prata e que ao peito carregava a insígnia do Reino, o símbolo de um castiçal de doze braços e que tinha uma bola de cristal em cada ponta, este era Sferavish.  
     Em fim chegamos! (Disse Sharagohv).
     O jovem o olhou com certa duvida e curiosidade sobre o que estavam falando então perguntou:
     Como assim? Não chegamos a lugar algum, só vejo florestas aqui, para lhe dizer a verdade essa é a única coisa que vejo há dois dias!
     Todos se entreolharam, então o elfo dirigiu-se até ele:
     Isso porque você está com os olhos fechados!...Mellowyng!Quer ter a honra?
   ─ Sim. Vejam!
     No exato momento quando o mago tocou o cajado no solo, raízes começaram a nascer de toda a parte e se misturavam como se estivessem presas a elas mesmas... Misturavam-se formando uma parede única que envolvia toda a planície ao redor até onde suas vistas alcançavam. Então imediatamente bateu o cajado contra a parede que em seguida se abria como uma porta.
     A luz era intensa, e esta vinha do cajado de Mellowyng, Güibbi se espantava ao ver o que o mago havia feito, pois para ele o cajado servia de apoio para o tio e agora podia entender porque ninguém tocava no cajado. Tudo era muito diferente para Güibbi que agora em seu pensamento lembrava-se das histórias do tio e vagava longamente em seu próprio passado e dos próprios sonhos que tinha com aquele  lugar.
     Tudo parecia cada vez mais longe em seu pensamento até ser interrompido por Sharagohv.
     ─ E agora, pode ver?
     Güibbi estava ainda mais surpreso e alucinado. Tudo o que via e sentia era bem diferente do mundo que veio. Era tudo tão majestoso e de grandiosidade, que agora o jovem podia entender que as histórias que o tio contava eram realmente verdadeiras. Seu pensamento estava tão longe quanto o mundo que veio apesar de estar ali, que não disse uma só palavra. Ao entrar naquele lugar desconhecido, podia ver as raízes que protegiam o lugar magicamente voltarem para um pequeno lago no meio do caminho onde passavam. Quando já se se dispersava novamente Güibbi se lembra da primeira vez que pisou o pé fora do porão até o momento.
     O jovem se intrigava com a possibilidade de borbulhar tanta água daquele lago, sendo que não havia onde desaguar, assim como aquela pequena cachoeira que viu na floresta até bebê-la e não se lembrar de mais nada.
     O pensamento dele se confundia com o passado e as histórias do tio e o que mais o irritava, era que não se lembrava de nada.
    ─ Como pode ser possível? O que realmente é isso? (indagou o jovem)
     Acalme-se Güibbi, você faz muitas perguntas, e às vezes é bom deixar que o tempo se encarregue de tais respostas... E não se culpe por não se lembrar de nada, pois não encontrará no passado a solução disso tudo, eu nunca mencionei sobre os lagos tridimensionais em minhas histórias.
   − Tridimensionais?! (Assim perguntou ele assustado e confuso).
   Sim Güibbi! (Respondeu o mago).
   Ele te leva para o lugar mais improvável, que possa pensar, mesmo que esse desejo esteja no mais profundo desejo da alma... Ou seja, você sempre desejou estar aqui, mas ainda não sabia.
   − Como isso é possível?
   − Isso nem eu posso lhe responder, simplesmente sempre foi assim, desde o princípio quando fui enviado para este lugar... Já se faz treze anos Güibbi, foi quando cheguei aqui!Eu não tinha a mínima noção do que era este lugar até então desconhecido para mim, e ainda hoje posso afirmar que há muitas coisas em Dargon desconhecidas, intactas...
   − Mas como você chegou aqui? Porque?
   − Eu cheguei da mesma maneira que você, e pelo mesmo motivo, pois lá no fundo assim como você... Eu sempre desejei estar aqui, há exatamente treze anos quando tudo aconteceu.
   − Foi na noite que sua mãe morreu, depois de estar consumado o feito e termos enterrado os que se sacrificaram por nossas terras, Hanffield criou uma proteção capaz de barrar qualquer força, até mesmo Óggi, e assim criamos uma proteção para nosso povo, mas agora ele tem um motivo muito grande para voltar!
   − E qual é esse motivo?(Perguntou o jovem olhando-o nos olhos).
   − O mesmo que o fez a treze anos, mas estaremos prontos! Olhe a sua frente e veja.
   − Por Trinta Dragões!
     A cada momento o jovem se deslumbrava ainda mais com o que todos olhavam, os pássaros cantavam, as arvores balançavam como se o vento ás tocasse de propósito para que emitissem um som orquestral. O sol era tão vivo quanto parecia ser o lugar, e a cada momento iluminava mais ainda o horizonte que os cercavam.
   Olhe e veja! Este é o Castelo de Drellfuor!
     Todos estavam muito impressionados com o lugar, inclusive Irwin e Imli que eram muito pequenos e tudo o que viam eram muito maiores em relação a eles. Os élfos também, na verdade já haviam estado ali, mas era impossível não se maravilhar com tal grandeza, porém posso lhe afirmar que não havia ninguém mais impressionado com o lugar do que o jovem Güibbi.
     Estava tudo do jeito que encontrara a Treze anos a Mellowyng percebia que Drellfuor ainda não havia sido invadida. O castelo era enorme, com três torres a sua frente, janelas enormes e belas sacadas... A torre do meio aparentava-se maios que as demais, havia também muitas arvores ao redor do castelo e suas raízes cercavam o caminho que os sete seguiam contando com o cavalo.
     O caminho era estreito e um pouco longo, mas conforme caminhavam o mesmo tornava-se curto, pois o que mais chama a atenção eram outras três enormes torres que cercavam o castelo, e estas eram muitas maiores e com incontáveis janelas, pois os brilhos do sol as escondiam e a fumaça das nuvens as entardecerem ofuscavam suas luminárias e por fim quando deram por perceber, o caminho já havia sido feito.
     Enfim chegaram à entrada do castelo que tinha enormes degraus e também podiam ver que havia pilares sustentando toda aquela estrutura enorme que os faziam sentir-se cada vez menores, ainda mais os anões, diga-se de passagem.
   Pronto meu amigo! Pode ir, deve estar cansado de toda essa viagem...
     Güibbi olhou aquilo confuso sem entender e numa vontade de perguntar ao velho se aquele cavalo era o mesmo que por tanto tempo puxou aquela velha carroça, pois era justamente isso que o deixava tão confuso.
     Mellowyng soltou o cavalo e segurou forte o cajado e novamente o bateu contra o chão, de repente todos viram uma enorme porta se abrir, coisa que não haviam notado antes e esta seriam mais uma pergunta de Güibbi ao mago se ele não estivesse tão ocupado. A porta era enorme e diferente como tudo o que vimos e conhecemos até agora, mas o que mais chamava a atenção era que esta não possuía qualquer tipo de maçaneta ou algo parecido. Porém ao se abrir esse não seria o fator que chamaria mais a atenção.
    Aos poucos o brilho tomava conta do lugar, mas este brilho não vinha do cajado de Mellowyng, e a cada momento que passava o brilho era mais intenso até que enfim todos perceberam o que era:
     Uma enorme luz se formava na porta que se abria e projetava contra eles na forma de um Castiçal de Onze Braços, até aporta se abrir por completa.
   Este é o castelo de Drellfuor! Foi aqui que um dia o filho do Reino governou por muito tempo até Óggi aparecer...
   − Como assim tio? (indagou o jovem)
   Tio? O seu tio deixou de existir ao atravessar o portal...
   − Meu nome é Mellowyng! O décimo segundo mago da minha linhagem e o décimo segundo componente do Conselho de Dargon! Já deveria saber... Não? Ou já se esqueceu das histórias do tio?
     Neste momento o jovem indignava-se ainda mais, pois estava confuso com todo o acontecido, e por mais que tentasse lembrar-se das histórias do tio, não conseguia... Aos poucos as lembranças se esvaiam de seu pensamento como se as mesmas tivessem ficado do outro lado do portal, da mesma maneira que o “tio”, como o mago havia falado.
   E o que aconteceu com o Rei?
   − Rei? Não existe mais Rei em Dargon! Na verdade há um... Mas suponho que ele ainda não esteja preparado para assumir o trono de Drellfuor...
     Já estavam todos lá dentro, inclusive as duas comitivas que seguiam o grupo meio que por despercebidos, mas estavam lá... Sharagohv, Jevolás, Irwin, Imli e também a Comitiva de Hangly... Já estavam todos muito maravilhados com o lugar e perguntavam a si mesmos se haveria algo que pudesse impressioná-los ainda mais.
     O lugar era impressionantemente enorme e a cada passo podia ouvir-se o eco de cada uma. O salão estava vazio e também tudo muito quieto até que ouviram uma voz que surgiu no templo... Era a voz de Failleng, então todos se curvaram imediatamente em respeito ao Comissário Chefe que disse:
     Bem vindos a Drellfuor! Levantem-se Guerreiros!
    Imediatamente todos se levantaram, mas não o jovem Güibbi que continuou postado ali de joelhos, olhando para o próprio chão que pisava. Então a voz retornou a dizer:
Eu disse todos!
     O jovem olhou para os lados e então percebeu que as palavras ditas eram para ele e se levantou.
   Caros Guerreiros! (Assim disse ele novamente). Estamos aqui para decidir o destino de Dargon. A batalha se aproxima e Óggi reuniu um enorme exercito para nos atacar... Nossa lista de aliados está cada vez menor!
   − Por isso preciso da ajuda de todos! Convocarei duas comitivas... Uma marchará ao encontro do exercito de Óggi pra impedir que cheguem a Dargon, e a outra ficará em Drellfuor para que haja esperança se a primeira falhar.
   − Hangly e sua comitiva ficarão em Drellfuor para proteger os portões do Contraforte Sul, quero três guardas em cada cidadela de sentinela, você terá o apoio dos guardas que já tenho aqui e também terá o apoio da floresta, tratarei com você mais tarde se precisar... Não podemos perder mais tempo!
   − Mellowyng... Você seguirá com sua comitiva ao encontro de Óggi, temos que interceptá-lo enquanto ele não possui seu exercito por completo, ainda há esperança! Não há mais tempo a perder, temos duas Comitivas com sete Guerreiros cada, vocês serão a Comitiva do Oeste!
     Neste momento Güibbi olhou novamente para os lados, parecia estar contando, mas não encontrava o que parecia estar procurando então deu um passo á frente e disse:
   Senhor! Só vejo seis Guerreiros em minha comitiva, e mesmo que fossem sete ainda assim seria muito poço! Como poderemos vencer um exercito com uma Comitiva de seis Guerreiros? Onde estão os Guerreiros de Dargon, onde está o povo deste Reino? Onde está o Rei?
     O mago Comissário Failleng era sábio, sabia que o rapaz ainda não estava preparado, então se ajoelhou na frente dele, colocou sua mão no ombro do mesmo e com uma voz doce e amiga disse:
   Meu jovem, nossos mundos estão de certa forma ligados... Temos nossas semelhanças e diferenças, e é ai que tudo pode acontecer! Não se preocupe com o que deve fazer, pois na hora certa você estará preparado... Sei também que muita duvida cercam seus pensamentos, tais estas que em momentos chegam a entristecer o seu olhar, mas vou lhe contar algo:
   − Certa vez eu conheci um jovem, e ele tinha esse mesmo olhar, e era tão triste quanto parecia realmente estar, pois se tem algo que realmente revela o que você está passando é o olhar... Mas não se preocupe, pois nem tudo está perdido como da ultima vez!
     O jovem olhava nos olhos do mago como se sua vida dependesse daquelas palavras... Failleng levantou-se e Güibbi continuou ali parado como se estivesse vagando em seus próprios pensamentos. As Comitivas estavam formadas! Hangly agora planejava fazer uma segurança perfeita, pois se a Comitiva de Mellowyng falhar, as esperanças estarão todas em Drellfuor.
     A missão de Mellowyng não era tão fácil, pois conduzir uma Comitiva com cinco Guerreiros onde há somente dois elfos, dois anões e um jovem de treze anos que amenos sabe manejar uma espada, contra um exercito de milhões de órc’s, Troll’s, coiotes e seres do escuro, ficaria ainda mais difícil salvar o Reino de Dargon. Mas estava ali a esperança de um Reino, de um Povo, que não suportaria outra derrota... Mesmo após treze anos.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

CAPÍTULO 4

O REINO DE DARGON  
     Neste momento os cinco já saiam da caverna, primeiro Sharagohv, seguido por Jevolás, Irwin, Imlin e por ultimo Güibbi. O sol lá fora já havia voltado e aos poucos a claridade tomava conta de todo o lugar, tudo voltava a ser como antes, a grama estava molhada, os pássaros cantavam, as arvores balançavam, e com elas, os pingos D’água escorriam pelo tronco das mesmas que agora cercavam uma pequena estrada por onde eles passavam.
     O jovem nunca vira antes algo assim tão fascinante como este reino. Tudo parecia estar vivo, as arvores, os pássaros e as montanhas. Todos se deslumbravam, mas o sobrinho do mago ficava ainda mais fascinado com tudo o via e sentia. Güibbi ainda via aquele mundo de maneira curiosa, talvez por já ter ouvido tantas histórias de um lugar parecido com aquele. Lembrava-se agora com ainda mais dificuldade de quando certo amigo o visitava e o tio lhe contava histórias fantásticas. Talvez pensasse ele agora, como seria se o tio estivesse ali com ele, vendo tudo o que havia dito acontecer diante dos teus olhos. Güibbi cresceu ouvindo as mesmas e agora podia jurar que elas são reais.
     Tudo lhe parecia ter sentido, com se cada coisa tivesse o seu valor, cada cantinho, a grama, insetos e até mesmo as folhas soltas tivessem uma importância significativa, como uma jóia que se perde. Contudo ele estava certo, era o lugar... Tudo tinha cheiro de magia, tudo cooperava para a beleza ser eterna. O jovem observava, estava fascinado, na verdade até se esqueceu que não estava mais na casa do tio, como se o destino o trouxesse de propósito, sentia que estava reencontrando o lugar e que tivesse sido retirado Dalí a força.
     Na verdade ainda tinha muitas duvidas, principalmente de como fora parar em outro lugar através de um lago, mas ainda não havia dito nada desde que haviam saído da gruta, até que Irwin perguntou:
     Diga-me forasteiro! Como pode estar dentro da caverna, se não o vi entrar?
     O rapaz olhou um pouco desconfiado, mas embora não gostasse do termo referido a ele, respondeu:
     Na verdade não sei. Não estava lá!(Disse ele).
     Quando cheguei, o lugar era bem diferente deste em que estamos agora. Andei muito até que encontrei um lago, não sei se estou certo, se por acaso estava tendo ilusões, mas neste lago tinha uma cachoeira... Então bebi e não vi mais nada, quando acordei já estava na frente da caverna e resolvi entrar, começou a chover e cai num sono profundo. O sonho era bem estranho, então acordei e você estava na entrada da gruta.
     Os anões se entreolharam ao ouvir aquilo, juntamente com os elfos que seguiam na frente, o brilho do sol neste momento se resguardava devido as sombra das arvores que os cobriam. O vento estava parado, embora o jovem percebesse que mesmo assim as arvores ainda pareciam se mexer, mas isso só poderia ser notado se prestassem muita atenção. Assim Güibbi percebia tudo ao seu redor, pois mesmo andando, olhava muito aquele novo lugar, até que então pararam a beira da estrada e Irwin disse:
     Aquele não era um simples lago!
     Como assim?(Perguntou o garoto).
     Isso mesmo. A água que você bebeu é diferente das outras, pois embora ela também possa ter saciado a sua cede, ao contrario do que você pensa, ela não serviria para aquilo, pois aquele lago é um portal!
     Um portal?! (Güibbi olhava com os olhos estalados).
     Sim, um portal. Tem que tomar mais cuidado com o que faz forasteiro! Não se esqueça que tudo aqui é diferente do lugar que você veio, mas acho muito estranho você estar aqui.
     Como assim, por quê?
    ─ Você faz muitas perguntas! (Retrucou o anão).
    Se por um acaso o destino lhe permitisse que não estivesse aqui, certamente não teria bebido daquela água. Aquele portal faz coisas inacreditáveis, pois ao bebe La lhe revelou o mais desconhecido sentimento, ele realiza o mais obscuro desejo por mais oculto que seja, pois se não fosse por essa causa, acredite... Você não estaria aqui.
   ─ O que quer dizer com isso?
  ─ Ou você realmente deseja estar aqui mesmo sem saber, ou o destino simplesmente lhe trouxe aqui, mas não por acaso.
     Güibbi ficava pensativo, não entendia bem o que o anão queria dizer com “ser predestinado a estar ali”, mas lembrava-se agora das histórias do tio, e que juntamente com seu amigo desejava muito estar em um lugar parecido com aquele em que estava agora, porem, Güibbi sentia que a cada segundo que se passava, tinha ainda mais dificuldade de se lembrar do amigo e também das histórias que ouviam o tio contar.
      As horas se passavam, e junto com ela o dia ia embora ofuscando o brilho do sol, que o tempo mudava, agora era possível ver as arvores se mexerem devido a força do vento que aumentava e as sopravam fortemente, então perceberam que a noite se aproximava.
     A noite se aproxima! Devemos acampar aqui por esta noite. (Disse Sharagohv).
     Vamos dormir aqui esta noite? Quem sabe se andarmos mais depressa possamos  chegar logo!(Indagou Güibbi).
     Não, não há tempo!(Completou o élfo). Já andamos muito por hoje, o caminho é longo e, aliás, já estamos caminhando à noite por um bom tempo. A floresta é fechada e não se pode saber exatamente quando é dia ou quando é noite. É preciso que saiba forasteiro. Há muitos perigos a solta em florestas e cavernas muito além do que você sabe pelas quais a escuridão abriga, fique atento!
      ─ Imlin!
      ─ Sim Senhor!
     ─ Trate de arrumar um abrigo para o nosso jovem, ele parece estar bem cansado. Também preciso que você fique na guarda hoje, conhece este caminho melhor do que eu e sabe os perigos que o assombra.
     ─ Sim farei isso! Güibbi venha comigo, preciso lhe mostrar algo.
     Enfim era noite, a escuridão tomava conta de todo o lugar, então Güibbi com o anão percebeu que estavam se afastando do grupo e perguntou:
     Onde estamos indo?
    ─ “Xii” Quieto! Não podemos faze barulho. (Sussurrou o anão). Não se esqueça, ainda estamos na floresta. Eu lhe trouxe aqui porque quero que pegue gravetos, vamos fazer uma fogueira, a floresta é muito fria à noite.
   ─ Sim!
  ─ Pegue o Maximo que puder, não sabemos o que a noite nos reserva, não fique muito longe, pode se perder.
      A floresta estava quieta, não se ouvia si quer um barulho, nem mesmo dos pássaros, nem o balançar das arvores, toda a floresta dormia, o único som que se ouvia eram as passadas que aos poucos se desgastavam e pesavam devido o peso que os mesmos carregavam. A noite era fria e cada vez mais obscura, no céu não havia estrelas, pois não era possível vê-lo devido à quantidade de arvores que escondiam o mesmo, a escuridão da noite se misturava e se propagava por toda a floresta, até que Imlin acendeu a fogueira.
     Não era de se estranhar que realmente estivessem famintos, contudo, Güibbi lembrava-se que já estavam a um bom tempo naquele lugar e que não comia desde que havia entrado no porão, então pegou alguns cogumelos e acendeu ao fogo, ficou um bom tempo perto da fogueira ainda olhando para o céu, mas não via nada. A escuridão era cada vez mais intensa então Imlin que estava na guarda o chamou e disse:
     Güibbi, é hora de dormir, logo o sol nascerá e a jornada continua.
     ─ Sim, já vou.
     Güibbi comeu o ultimo pedaço do fruto e foi dormir, sentia o sono e o cansaço tomar conta de seu corpo. Ao virar-se percebeu que havia quatro barracas, em uma delas estava Sharagohv, na outra estava Jevolás, na outra Irwin, e a outra vazia, esta que pertence a Imlin.
     Pode dormir em minha barraca Güibbi.
    ─ Obrigado, mas não vai dormir?
    ─ Não. Estou na guarda hoje... Pode usá-la.
     O cansaço se mostrava cada vez maior, então Güibbi entrou na barraca que se mostrava ainda maior ao olhar por dentro, a mesma era quente e confortável, aos poucos tudo se afastava, as vistas escureciam, sua mente estava ainda mais confusa e sem perceber dormiu deixando a realidade. Güibbi começava a ter muitos sonhos, porém era sempre o mesmo. No sonho, Güibbi se depara com uma mulher, a mesma tinha um semblante alegre, com um longo vestido branco com purpurina, fazendo com o mesmo brilhasse tanto quanto uma estrela.
     A tal mulher tinha um colar, e esse sonho se repetia por muitas vezes ao longo do tempo que o jovem dormia, contudo o que mais intrigava Güibbi mesmo estando dormindo, é que ela entregava o colar a ele, e por mais que tentasse lembrar o que significava aquele gesto, não conseguia se lembrar... A única coisa que se lembrava era de já ter sonhado com aquilo muitas vezes. O sonho já se repetia por muitas vezes, Güibbi sentia que a realidade se distanciava a cada vez que o sonho se repetia. A manhã era fria e vazia, até que por fim o jovem despertou suado e assustado.
     Ufa!...Era só um sonho!
     Ao sair da barraca, viu que já estavam todos acordados embora pensasse ele que ainda era cedo. O sol já brilhava com muita força, e já podiam sentir mais viva, os pássaros cantavam, as arvores se mexiam e faziam com que o orvalho descesse e cobrisse toda a vegetação rasteira que envolvia aquele lugar, já havia se passado meio dia. Tudo era muito maravilhoso e vendo aquilo, Güibbi tinha a impressão de que a floresta renascia a cada dia que ressurgia, até que o seu pensamento é interrompido por Sharagohv.
     O sol já nasceu, um novo dia recomeça e a jornada continua, arrumem tudo e desfaçam as barracas, temos que chegar ao Grande Conselho antes do por do sol.
     Imediatamente desfizeram tudo, aos poucos o ritmo da caminhada voltava e enfim saíram da floresta. Ao olhar para frente, Güibbi avistou uma vegetação rasteira que cobria todo o horizonte até onde seus olhos podiam avistar o jovem ficou impressionado ao ver, (Como se isso fosse possível acontecer), era algo diferente, ao longe podia ver montanhas contornar horizonte, arvores muito altas, mas estas eram umas longe das outras, e lagos, estes que poderia ver muito cristalinos, a paisagem era bem diferente, como se o novo lugar fosse um mundo diferente do que até agora havia passado, até que exclamou a si mesmo.
     Que lugar é este?!
     Não é um simples lugar!(Respondeu Sharagohv). ─ É um Reino, tudo isso é Dargon... Este lugar era mais feliz antes de Óggi aparecer.
     ─ Como assim, por quê?
     ─ A história toda eu já lhe contei, mas aqui, Dargon, é onde Óggi habita, do outro lado das montanhas. Nós os élfos nos escondemos por aqui, em algum lugar.
     ─ E onde eles estão?(Perguntou o jovem curioso). ─ Estão por aí! Eles já nos viram, mas nós ainda não. Os élfos têm uma visão muito aguçada, podemos ver á dias de distancia daqui, vamos esperar.
     Continuou a caminhar talvez o bastante para se preocuparem com os élfos, até que o jovem confuso sem saber o que pensar retrucou dizendo:
      Esperar o que?
     ─ Eles estão aqui!
     De repente, tudo que parecia quieto se movimentou, élfos vinham de toda parte, e quando perceberam já estavam cercados.
     Quem são vocês?(Perguntou um dos élfos).
     Eu sou Sharagohv, este é Jevolás, estes são Irwin e Imlin, e este é Güibbi.
     ─ Ora, ora, o que faz um humano dentre nós?
     O jovem não gostou muito, mas logo se explicou.
     Sou Güibbi, eu estava no porão da minha casa quando avistei uma pedra... Ela brilhou e quando percebi já estava aqui.
     Todos o olharam numa certa desconfiança, o jovem estava falando a verdade, mas ninguém sabia ao certo se aquilo havia mesmo acontecido. Os anões não confiavam plenamente em Güibbi, mas sabiam que era melhor estar com ele do que um perigo a solta.
     E qual é o seu nome?(Perguntou Güibbi fitando-o).
     Meu nome é Hangly, somos uma Comitiva do Oeste, estive
Mos lá em missão! A Comitiva é formada por sete guerreiros, viemos para o Grande Conselho ,se também vão, podem nos acompanhar.
     O bando estava formado, os sete élfos da Comitiva do Oeste, Sharagohv, Jevolás, os anões Irwin e Imlin do norte e o jovem Güibbi que amenos sabia por que estava ali. Todos caminhavam para a província de Dréllfuor, para o Grande Conselho de Dargon, quando ao longe Jevolás avistou uma luz intensa em forma de fogo vindo em direção ao grupo e disse:
     Tem algo vindo aí! Vejo uma luz intensa vindo do norte e que se aproxima rapidamente do grupo... Fiquem atentos!
     ─ Também posso ver!(Disse Sharagohv). ─ Ainda está um pouco longe, talvez a um dia de distancia, mas a essa distancia logo chegará aqui.
     ─ E isso é bom? (Perguntou Güibbi).
     Não! Se não estiver do nosso lado.
     Güibbi ficou pensativo, porém não disse mais nada, todos estavam quietos, o bando caminhava em silencio, estavam em campo aberto e poderiam facilmente ser vistos apesar de estar quase escurecendo. Aos poucos o sol se esfria deixando o ambiente menos luminoso. O grupo caminhava em passos lentos, cuidadoso olhando para os lados em fia indiana, quando de repente foram surpreendidos por órc’s, muitos órc’s vindo da floresta correndo na direção deles.
     Corram!(Disse Sharagohv). ─ Estamos em numero menor.
     Imediatamente todos correram em direção ao norte a fim de se esconderem por entres as arvores. A cada passo os órc’s se aproximavam ainda mais, até que pararam. Todos ficaram apostos, mas não Güibbi. O jovem se escondeu por de traz de uma moita e ali ficou. Os orc’s marchavam rapidamente na direção do grupo com arcos e alguns machados, quando de repente foram surpreendidos por um clarão em forma de fogo e saíram correndo desesperadamente. Só ficou o grupo que seguia para o Grande Conselho. A luz era muito forte e a cada momento que tentavam olhar seus olhos ardiam com se estivessem olhando para o sol.
     O que vinha não tinha forma, nem mesmo aos olhos dos élfos que conseguem enxergar a uma distancia inacreditável. Todo o bando atirava, os élfos flechavam sem parar, mas as flechas não tinham destino certo aos seus olhos. Güibbi não tinha nada, amenos sabia manejar uma espada, mal sabia também o que o destino o reservaria, estava lá escondido em uma moita e vendo seus companheiros atirar, até Sharagohv intervir dizendo:
     Quem está aí?
     De repente a luz se esvai e logo percebem que era um velho, de chapéu pontudo e com um manto reluzente acompanhado de um velho cajado sobre um cavalo... Tratava-se de Mellowyng.
     Esqueçam das armas! Estou aqui em missão de paz!
     Todos logo perceberam que se tratava do mago e imediatamente se curvaram. Güibbi estava lá, escondido na moita que agora parecia cada vez menor, não se mexia apesar de tremer de medo. O jovem tinha medo que o tio descobrisse tal feito, mas nunca poderia imaginar que o mesmo fosse um mago.
     Oh Grande Mago! O senhor veio em boa hora. (Disse Sharagohv).       
     ─ Estávamos sendo atacados por um bando de órc’s. Estamos em guerra. Óggi reuniu um grande exercito para conquistar toda Dargon.
     ─ Mas isso é inaceitável!(Disse o mago indignado). ─ Vamos reunir o Grande Conselho e comunicar o grande Comissário Filleng.
     ─ Já fizemos isso Senhor! Estamos á caminho para o Grande Conselho, mas como já sabia disso?
     Mellowyng o fitou e disse:
     Não sabia. Eu vim à procura do meu sobrinho Güibbi, a hora dele chegou!
     Todos estavam surpresos, amenos passou pela mente de qualquer um dentre eles que aquele era o jovem que havia sobrevivido á garra do dragão.
     Então aconteceu! (Disse Sharagohv). ─ Levante-se forasteiro!
     Güibbi levantou-se de trás da moita com um olhar triste, pois tinha medo de decepcionar o tio, mas Mellowyng vendo aquilo olhou dentro dos olhos do garoto e disse:
     Meu filho! Eu sei com se sente, mas esta é a sua terra, o seu lar, o seu povo e você logo verão que a sua hora chegou.
     Em fim o caminho já havia sido feito, e como num passo de mágica todos já podiam ver Dréllfuor cada vez mais viva e imponente atrás deles, como se tivesse sido colocada ali á mãos. Finalmente chegara a hora do Grande Conselho.

sábado, 14 de janeiro de 2012

CAPÍTULO 3

              À PROCURA DE GÜIBBI
     O Momento em que o mago deixa sua casa, é o ponto principal para que o desfecho desta história seja real, pois se Mellowyng não deixa Güibbi sozinho, o jovem não estaria agora onde está. Na verdade, Mellowyng sabia que um dia isso aconteceria, pois ele mesmo viu isso na Paladíra.
     Certa noite no porão da casa, Mellowyng conversava com Hanffield a respeito do sobrinho. Os dois discutiam muito sobre o futuro do jovem. Hanffield dizia que ele ainda não estava preparado, porém o mago se alterava muito ao ouvir aquilo. Mellowyng dizia à feiticeira que tinha plena confiança no rapaz, e que tinha um grande pressentimento de que um dia o menino se tornaria um grande Rei.
     O mago sabia que não existiria outro caminho, não teria com evitar, sabia que um dia o jovem se atreveria a entrar no porão, pois era o seu destino, estava em seu sangue. Contudo o tio deixou que isso ocorresse naturalmente, pois se esse fosse o seu destino, assim teria que ser. O que você faria se soubesse o inevitável? São coisas como estas que fazem a diferença entre a história e a realidade, a verdade e a mentira, mas Mellowyng era um mago e não fugiria de tal responsabilidade como esta.
     Foi assim que o mago descobriu tal feito, ainda no porão com a feiticeira discutindo sobre o destino do menino, quando foi surpreendido pela pedra que brilhava tão intenso quanto aos teus olhos ao ver aquilo. A Paladíra brilhava tanto quanto ou até mais que a luz, pois com todo o brilho, era possível ver agora os detalhes e defeitos que o porão tinha, embora não fossem notados Por eles.
     Mellowyng e Hanffield podiam ver na pedra o destino do garoto.  A Paladíra possui vontade própria, é incorruptível, pois seu poder pode ser usado tanto para o bem, quanto para o mau. A pedra é capaz de mostrar as lembranças, o passado, o presente, o futuro e o destino de quem a usa, embora também pudesse fazer a vontade de quem a usa se a mesma também fosse à dela.
     Os dois se deslumbravam ainda mais com a Paladíra. Mellowyng podia ver Güibbi entrando no porão e desenrolando o pano da pedra, até que surge um flash de luz e não vêem mais nada. O mago e a feiticeira se entreolharam muito naquele momento, pois apesar do mago estar contente por saber que Güibbi seguiria o seu destino, sabia que o novo mundo seria tão misterioso quanto o porão, porém como em qualquer outra circunstancia, é perigoso quando não se sabe que corre um grande perigo. O mago ao sair, sabia que não teria nada a fazer, saiu por acaso, afinal essa não é a primeira vez que Mellowyng deixa Güibbi sozinho, apenas aconteceu desta vez porque era para ser assim, ou então seria como das outras vezes que o tio voltava e lá estava o jovem limpando os móveis de sua casa.
     Assim Mellowyng na porta de sua casa, pensava se chegara à hora de Güibbi ou se seria como das outras vezes, então abriu a porta e viu de relance a sala. A princípio nada anormal, mas não via o sobrinho, então decidiu sair à procura do jovem.
     Güibbi... Güibbi!
     A casa parecia estar vazia, não havia resposta, então chamou o jovem novamente.
     Güibbi... Você está ai? Güibbi!
     O jovem não respondia. Mellowyng temia que a verdade fosse à tona, andava pela casa procurando o sobrinho. Procurava por todos os cômodos, mas ainda não via o garoto, até perceber que os móveis da casa não estavam limpos, coisa que o garoto sempre fazia ao chegar da escola, e também nas férias, pois Güibbi mesmo nas férias permanecia na mesma rotina. Não sabia mais o que fazer, então foi em direção ao porão, porque ainda tinha a esperança de que o jovem não havia feito tal coisa.
     Naquele momento viu o porão com a porta ainda um pouco aberta trilhando uma luz que seguia em direção reta, até que finalmente a encontrou. O pensamento de Mellowyng não mudava, sabia que Güibbi encontraria a verdade e culpava-se por isso, culpava-se por não ter feito nada a respeito. Foi logo ali que aconteceu, viu a Paladíra desenrolada do pano e ainda brilhando com se estivesse avisando que o garoto á havia encontrado.
     Por trinta Dragões! Güibbi corre um grande perigo! Se Óggi o encontrar, estará tudo perdido.
     Mellowyng estava inconformado, estava sem reação, sem chão. Olhava para os lados e para si mesmo procurando uma resposta, na esperança de que a casa lhe mostrasse algo, até ver a chave do porão ainda na porta.
     Olhando a chave, lembrava-se agora que a mesma sempre ficava sobre a guarda de Hanffield, a esperança renascia em Mellowyng que pensava agora, se a coruja estava na casa. Subiu escadaria procurando e chamando pela mesma, enquanto isso tentava se acalmar a fim de encontrar um jeito de socorrer o garoto.
     O mago andava pela casa, mas nenhum sinal da coruja, então fez o que qualquer pessoa nesta situação faria, pois agora o que mais prevalecia em Mellowyng, era a condição de tio. Neste momento, a casa ficava definitivamente sozinha, Mellowyng pegou seu cavalo, desengatou da carroça e saiu à procura da coruja. Talvez estivesse pensando agora se Hanffield também fora apalatada pela pedra e o garoto estivesse por aí andando, ou então na casa do amigo, ou se então tenha os dois entrado pelo portal e estivessem tentando voltar.
     Muitos pensamentos atormentavam o mago que agora se sentia mais tio do que nunca. O mesmo atravessava a vila procurando o garoto, embora pressentisse que o jovem já não estava mais ali. As pessoas ao verem o velho passar em cima de um cavalo, estranhavam o feito, pois nunca o viram passar montado em cima de um cavalo, o velho sempre passava na carroça, mas agora em cima de um cavalo mostrava-se mais poderoso do que já estavam acostumados a ver.
     Montado em um cavalo andava em passos lentos, mas não chamava pelo garoto. Mellowyng passava agora pelo único caminho que era possível entrar ou sair da vila. As pessoas o estranhavam ao passar, pois a medida que o sol brilhava, podiam perceber que existia algo diferente naquele velho senhor que morava na ultima casa da vila.
     Os dois passavam agora por um corredor imenso de vegetação única e arvores muito alta, o único caminho a ser percorrido por quem quisesse se adentrar no vilarejo. As pessoas já não os olhavam, pois não havia pessoas, os moradores da vila não costumavam passar sempre por aquele caminho, mesmo sabendo que aquele era o único acesso à cidade. Mellowyng e seu cavalo passavam em uma pequena floresta que separava a cidade da vila. O caminho era relvado, com flores e pedras em sua saliência. O orvalho ainda escorria das folhas das arvores, pois mesmo que já fosse dia, ao se adentrar na pequena floresta, a sensação é de que ainda era noite.
     A grama ainda estava molhada, o lugar parecia bem fresco, Mellowyng começava a sentir a magia do lugar tomando o teu ser. O frescor das arvores, os perfumes que eram exalados pelas flores e o som da floresta. O mago juntamente com o seu cavalo estava parado em frente a uma grande arvore, talvez a maior assim pudesse pensar Mellowyng, ou então não escolheria o lugar assim presuma eu, definitivamente desceu do cavalo e olhou novamente a arvore, a mesma parecia ainda mais imponente aos olhos dele que agora com os pés no chão sentia que a arvore era ainda mais alta à medida que a olhava.
     Ainda com os olhos fixados na arvore, Mellowyng sentia que estava ainda mais perto de casa, sua verdadeira terra, um pedacinho de Dargon em Capíli. Podia lembrar agora de um dos amigos, um ente da floresta, um guerreiro de Dargon que o ajudou nos tempos difíceis. O mesmo olhava toda a vastidão que estava sobe sua cabeça e via que havia muitos galhos, folhas, pássaros e também um buraco na ultima parte do tronco, a mais alta extremidade do tronco antes de chegar aos galhos, até que seu pensamento é interrompido pelo relinchar do cavalo, então Mellowyng solta o animal que logo desaparece em meio à floresta.
     Neste momento o mago ficava sozinho, ele e a floresta até que resolveu chamar pela coruja, então Mellowyng chama pela mesma, mas nenhuma resposta se ouvia. O vento parava como se a floresta sentisse o momento de aflição que o velho passava. O sol se escondia como se a escuridão da floresta barrasse a luz e não permitia que a felicidade penetrasse. Isso é bem fácil de comparar, é como se o que verdadeiramente se busca fosse representado pelas estrelas que brilham no céu. A felicidade é representada pelo dia e a tristeza à noite, a estrela sempre brilhará lá no céu, coisa que sempre buscamos o objetivo, porém, só a enxergamos nos momentos de tristeza, embora estejam tão longe, mas só encontramos forças em nós mesmos quando dependemos de nós mesmos, pois só se sabe a força que tem, quando se depende desta força, e com Mellowyng não era diferente.
     O mago sentou-se à beira da arvore que parecia vigiar o lugar, e ergueu o cajado, porém o mesmo não poderia fazer nada naquele momento, pois não funcionaria naquele mundo, o cajado só funciona em Dargon. Mellowyng se lembrava muito de suas aventuras, e o que mais detestava era a escuridão, então desceu o chapéu e retirou do mesmo uma Paladíra, a mesma usada por Güibbi, então o mesmo a desenrolou do pano e a fez brilhar , uma luz imensa iluminou o lugar, talvez mais forte que a luz do sol, assim pensava ele que estava muito perto.       
     As esperanças renasceram em Mellowyng que se sentia ainda mais forte por estar perto da luz. Não existia uma só sombra, o lugar era tão iluminado quanto lá fora, os pássaros voavam das arvores que ali tinham, as arvores começavam a balançar como se sentissem a magia que existia ali voltar através da pedra. Imediatamente todo o cenário voltou, como se a vida tivesse sido entregue de volta a floresta. Então de repente Mellowyng por som de passadas, estas muito fortes como se estivessem marchando ou talvez correndo, mas estas não eram simples passadas, estas eram de Sferavish.
     O cavalo voltava tão rápido quanto a luz que tomou conta de todo o lugar, e com ele, lá no céu vinha Hanffield, nesse momento Mellowyng podia ver o céu se abrindo diante dos teus olhos. As arvores se abriam deixando um caminho para a coruja passar. A luz refletia na pena da mesma como a luz do amanhecer, a luz era muito forte, a floresta se enchia de alegria, Mellowyng já podia ouvir novamente o som dos pássaros, o balançar das arvores e também o relinchar do cavalo.
     Hanffield descia numa velocidade sem tamanho. Tinha muita pressa, então pousou e voltou a sua forma real humana. Porém no mesmo momento a Paladíra parecia mostrar algo.
     Por trinta Dragões! Olhe! (Disse o mago).
Hanffield e Mellowyng olharam e viram Güibbi na caverna, mas o garoto não estava sozinho, ali com ele na escuridão da caverna havia duas criaturas, mas embora não soubessem se o garoto realmente estava seguro Mellowyng mudou o semblante ao saber que o garoto estava vivo, então Hanffield interrompeu.
A hora dele chegou! Não pude fazer nada para impedi-lo, e se o fizesse colocaria tudo a perder, ele pegou a chave do meu pescoço quando ainda estava em forma de coruja e abriu o porão. A essa altura já deve estar próximo de Drellfuor, estou te procurando a horas, onde estava?
     Eu me atrasei! Na verdade sabia que não haveria modo algum de evitar, e ainda assim insisti... Eu falhei.
     Não pense assim. (Disse a feiticeira). Não se esqueça! Ainda me lembro bem daquela vez que vimos o destino dele ser traçado pela pedra. Eu vi Mellowyng... Há exatamente treze anos, tudo isso passar diante dos meus olhos.
     Por trinta Dragões! Precisamos de ajuda. Não há outra coisa a se fazer, termos que ir atrás de Güibbi, corrigir o passado, ou realizar o futuro, venho  a treze anos esperando por isso, mas não estaremos sozinhos, não desta vez.
     Hanffield! Sabe o que fazer, ele tem o direito de saber!
     Então novamente olhou a pedra, a mesma brilhava ainda mais, porém esta ainda não seria a ultima vez.