O GRANDE CONSELHO
Güibbi não entendia bem o que o tio queria dizer com aquelas palavras, mas olhavam-no com um olhar de surpresa e espanto, pois nunca havia visto o tio daquela maneira antes, nem com aquelas roupas e nem com aquele semblante tão imponente que agora mudava ao falar com ele.
O que mais o impressionava e ao mesmo tempo também o assustava, era que o tio sempre lhe contava histórias sobre aquele lugar, mas nunca colocou a si mesmo no contexto, contudo via ao lado aquele imponente cavalo que puxava aquela antiga e velha carroça e que se transformou um bravo integrante do Reino de Dargon, com uma armadura de prata e que ao peito carregava a insígnia do Reino, o símbolo de um castiçal de doze braços e que tinha uma bola de cristal em cada ponta, este era Sferavish.
─ Em fim chegamos! (Disse Sharagohv).
O jovem o olhou com certa duvida e curiosidade sobre o que estavam falando então perguntou:
─ Como assim? Não chegamos a lugar algum, só vejo florestas aqui, para lhe dizer a verdade essa é a única coisa que vejo há dois dias!
Todos se entreolharam, então o elfo dirigiu-se até ele:
─ Isso porque você está com os olhos fechados!...Mellowyng!Quer ter a honra?
─ Sim. Vejam!
No exato momento quando o mago tocou o cajado no solo, raízes começaram a nascer de toda a parte e se misturavam como se estivessem presas a elas mesmas... Misturavam-se formando uma parede única que envolvia toda a planície ao redor até onde suas vistas alcançavam. Então imediatamente bateu o cajado contra a parede que em seguida se abria como uma porta.
A luz era intensa, e esta vinha do cajado de Mellowyng, Güibbi se espantava ao ver o que o mago havia feito, pois para ele o cajado servia de apoio para o tio e agora podia entender porque ninguém tocava no cajado. Tudo era muito diferente para Güibbi que agora em seu pensamento lembrava-se das histórias do tio e vagava longamente em seu próprio passado e dos próprios sonhos que tinha com aquele lugar.
Tudo parecia cada vez mais longe em seu pensamento até ser interrompido por Sharagohv.
─ E agora, pode ver?
Güibbi estava ainda mais surpreso e alucinado. Tudo o que via e sentia era bem diferente do mundo que veio. Era tudo tão majestoso e de grandiosidade, que agora o jovem podia entender que as histórias que o tio contava eram realmente verdadeiras. Seu pensamento estava tão longe quanto o mundo que veio apesar de estar ali, que não disse uma só palavra. Ao entrar naquele lugar desconhecido, podia ver as raízes que protegiam o lugar magicamente voltarem para um pequeno lago no meio do caminho onde passavam. Quando já se se dispersava novamente Güibbi se lembra da primeira vez que pisou o pé fora do porão até o momento.
O jovem se intrigava com a possibilidade de borbulhar tanta água daquele lago, sendo que não havia onde desaguar, assim como aquela pequena cachoeira que viu na floresta até bebê-la e não se lembrar de mais nada.
O pensamento dele se confundia com o passado e as histórias do tio e o que mais o irritava, era que não se lembrava de nada.
─ Como pode ser possível? O que realmente é isso? (indagou o jovem)
− Acalme-se Güibbi, você faz muitas perguntas, e às vezes é bom deixar que o tempo se encarregue de tais respostas... E não se culpe por não se lembrar de nada, pois não encontrará no passado a solução disso tudo, eu nunca mencionei sobre os lagos tridimensionais em minhas histórias.
− Tridimensionais?! (Assim perguntou ele assustado e confuso).
− Sim Güibbi! (Respondeu o mago).
− Ele te leva para o lugar mais improvável, que possa pensar, mesmo que esse desejo esteja no mais profundo desejo da alma... Ou seja, você sempre desejou estar aqui, mas ainda não sabia.
− Como isso é possível?
− Isso nem eu posso lhe responder, simplesmente sempre foi assim, desde o princípio quando fui enviado para este lugar... Já se faz treze anos Güibbi, foi quando cheguei aqui!Eu não tinha a mínima noção do que era este lugar até então desconhecido para mim, e ainda hoje posso afirmar que há muitas coisas em Dargon desconhecidas, intactas...
− Mas como você chegou aqui? Porque?
− Eu cheguei da mesma maneira que você, e pelo mesmo motivo, pois lá no fundo assim como você... Eu sempre desejei estar aqui, há exatamente treze anos quando tudo aconteceu.
− Foi na noite que sua mãe morreu, depois de estar consumado o feito e termos enterrado os que se sacrificaram por nossas terras, Hanffield criou uma proteção capaz de barrar qualquer força, até mesmo Óggi, e assim criamos uma proteção para nosso povo, mas agora ele tem um motivo muito grande para voltar!
− E qual é esse motivo?(Perguntou o jovem olhando-o nos olhos).
− O mesmo que o fez a treze anos, mas estaremos prontos! Olhe a sua frente e veja.
− Por Trinta Dragões!
A cada momento o jovem se deslumbrava ainda mais com o que todos olhavam, os pássaros cantavam, as arvores balançavam como se o vento ás tocasse de propósito para que emitissem um som orquestral. O sol era tão vivo quanto parecia ser o lugar, e a cada momento iluminava mais ainda o horizonte que os cercavam.
− Olhe e veja! Este é o Castelo de Drellfuor!
Todos estavam muito impressionados com o lugar, inclusive Irwin e Imli que eram muito pequenos e tudo o que viam eram muito maiores em relação a eles. Os élfos também, na verdade já haviam estado ali, mas era impossível não se maravilhar com tal grandeza, porém posso lhe afirmar que não havia ninguém mais impressionado com o lugar do que o jovem Güibbi.
Estava tudo do jeito que encontrara a Treze anos a Mellowyng percebia que Drellfuor ainda não havia sido invadida. O castelo era enorme, com três torres a sua frente, janelas enormes e belas sacadas... A torre do meio aparentava-se maios que as demais, havia também muitas arvores ao redor do castelo e suas raízes cercavam o caminho que os sete seguiam contando com o cavalo.
O caminho era estreito e um pouco longo, mas conforme caminhavam o mesmo tornava-se curto, pois o que mais chama a atenção eram outras três enormes torres que cercavam o castelo, e estas eram muitas maiores e com incontáveis janelas, pois os brilhos do sol as escondiam e a fumaça das nuvens as entardecerem ofuscavam suas luminárias e por fim quando deram por perceber, o caminho já havia sido feito.
Enfim chegaram à entrada do castelo que tinha enormes degraus e também podiam ver que havia pilares sustentando toda aquela estrutura enorme que os faziam sentir-se cada vez menores, ainda mais os anões, diga-se de passagem.
− Pronto meu amigo! Pode ir, deve estar cansado de toda essa viagem...
Güibbi olhou aquilo confuso sem entender e numa vontade de perguntar ao velho se aquele cavalo era o mesmo que por tanto tempo puxou aquela velha carroça, pois era justamente isso que o deixava tão confuso.
Mellowyng soltou o cavalo e segurou forte o cajado e novamente o bateu contra o chão, de repente todos viram uma enorme porta se abrir, coisa que não haviam notado antes e esta seriam mais uma pergunta de Güibbi ao mago se ele não estivesse tão ocupado. A porta era enorme e diferente como tudo o que vimos e conhecemos até agora, mas o que mais chamava a atenção era que esta não possuía qualquer tipo de maçaneta ou algo parecido. Porém ao se abrir esse não seria o fator que chamaria mais a atenção.
Aos poucos o brilho tomava conta do lugar, mas este brilho não vinha do cajado de Mellowyng, e a cada momento que passava o brilho era mais intenso até que enfim todos perceberam o que era:
Uma enorme luz se formava na porta que se abria e projetava contra eles na forma de um Castiçal de Onze Braços, até aporta se abrir por completa.
− Este é o castelo de Drellfuor! Foi aqui que um dia o filho do Reino governou por muito tempo até Óggi aparecer...
− Como assim tio? (indagou o jovem)
− Tio? O seu tio deixou de existir ao atravessar o portal...
− Meu nome é Mellowyng! O décimo segundo mago da minha linhagem e o décimo segundo componente do Conselho de Dargon! Já deveria saber... Não? Ou já se esqueceu das histórias do tio?
Neste momento o jovem indignava-se ainda mais, pois estava confuso com todo o acontecido, e por mais que tentasse lembrar-se das histórias do tio, não conseguia... Aos poucos as lembranças se esvaiam de seu pensamento como se as mesmas tivessem ficado do outro lado do portal, da mesma maneira que o “tio”, como o mago havia falado.
− E o que aconteceu com o Rei?
− Rei? Não existe mais Rei em Dargon! Na verdade há um... Mas suponho que ele ainda não esteja preparado para assumir o trono de Drellfuor...
Já estavam todos lá dentro, inclusive as duas comitivas que seguiam o grupo meio que por despercebidos, mas estavam lá... Sharagohv, Jevolás, Irwin, Imli e também a Comitiva de Hangly... Já estavam todos muito maravilhados com o lugar e perguntavam a si mesmos se haveria algo que pudesse impressioná-los ainda mais.
O lugar era impressionantemente enorme e a cada passo podia ouvir-se o eco de cada uma. O salão estava vazio e também tudo muito quieto até que ouviram uma voz que surgiu no templo... Era a voz de Failleng, então todos se curvaram imediatamente em respeito ao Comissário Chefe que disse:
− Bem vindos a Drellfuor! Levantem-se Guerreiros!
Imediatamente todos se levantaram, mas não o jovem Güibbi que continuou postado ali de joelhos, olhando para o próprio chão que pisava. Então a voz retornou a dizer:
− Eu disse todos!
O jovem olhou para os lados e então percebeu que as palavras ditas eram para ele e se levantou.
− Caros Guerreiros! (Assim disse ele novamente). Estamos aqui para decidir o destino de Dargon. A batalha se aproxima e Óggi reuniu um enorme exercito para nos atacar... Nossa lista de aliados está cada vez menor!
− Por isso preciso da ajuda de todos! Convocarei duas comitivas... Uma marchará ao encontro do exercito de Óggi pra impedir que cheguem a Dargon, e a outra ficará em Drellfuor para que haja esperança se a primeira falhar.
− Hangly e sua comitiva ficarão em Drellfuor para proteger os portões do Contraforte Sul, quero três guardas em cada cidadela de sentinela, você terá o apoio dos guardas que já tenho aqui e também terá o apoio da floresta, tratarei com você mais tarde se precisar... Não podemos perder mais tempo!
− Mellowyng... Você seguirá com sua comitiva ao encontro de Óggi, temos que interceptá-lo enquanto ele não possui seu exercito por completo, ainda há esperança! Não há mais tempo a perder, temos duas Comitivas com sete Guerreiros cada, vocês serão a Comitiva do Oeste!
Neste momento Güibbi olhou novamente para os lados, parecia estar contando, mas não encontrava o que parecia estar procurando então deu um passo á frente e disse:
− Senhor! Só vejo seis Guerreiros em minha comitiva, e mesmo que fossem sete ainda assim seria muito poço! Como poderemos vencer um exercito com uma Comitiva de seis Guerreiros? Onde estão os Guerreiros de Dargon, onde está o povo deste Reino? Onde está o Rei?
O mago Comissário Failleng era sábio, sabia que o rapaz ainda não estava preparado, então se ajoelhou na frente dele, colocou sua mão no ombro do mesmo e com uma voz doce e amiga disse:
− Meu jovem, nossos mundos estão de certa forma ligados... Temos nossas semelhanças e diferenças, e é ai que tudo pode acontecer! Não se preocupe com o que deve fazer, pois na hora certa você estará preparado... Sei também que muita duvida cercam seus pensamentos, tais estas que em momentos chegam a entristecer o seu olhar, mas vou lhe contar algo:
− Certa vez eu conheci um jovem, e ele tinha esse mesmo olhar, e era tão triste quanto parecia realmente estar, pois se tem algo que realmente revela o que você está passando é o olhar... Mas não se preocupe, pois nem tudo está perdido como da ultima vez!
O jovem olhava nos olhos do mago como se sua vida dependesse daquelas palavras... Failleng levantou-se e Güibbi continuou ali parado como se estivesse vagando em seus próprios pensamentos. As Comitivas estavam formadas! Hangly agora planejava fazer uma segurança perfeita, pois se a Comitiva de Mellowyng falhar, as esperanças estarão todas em Drellfuor.
A missão de Mellowyng não era tão fácil, pois conduzir uma Comitiva com cinco Guerreiros onde há somente dois elfos, dois anões e um jovem de treze anos que amenos sabe manejar uma espada, contra um exercito de milhões de órc’s, Troll’s, coiotes e seres do escuro, ficaria ainda mais difícil salvar o Reino de Dargon. Mas estava ali a esperança de um Reino, de um Povo, que não suportaria outra derrota... Mesmo após treze anos.