À PROCURA DE GÜIBBI
O Momento em que o mago deixa sua casa, é o ponto principal para que o desfecho desta história seja real, pois se Mellowyng não deixa Güibbi sozinho, o jovem não estaria agora onde está. Na verdade, Mellowyng sabia que um dia isso aconteceria, pois ele mesmo viu isso na Paladíra.
Certa noite no porão da casa, Mellowyng conversava com Hanffield a respeito do sobrinho. Os dois discutiam muito sobre o futuro do jovem. Hanffield dizia que ele ainda não estava preparado, porém o mago se alterava muito ao ouvir aquilo. Mellowyng dizia à feiticeira que tinha plena confiança no rapaz, e que tinha um grande pressentimento de que um dia o menino se tornaria um grande Rei.
O mago sabia que não existiria outro caminho, não teria com evitar, sabia que um dia o jovem se atreveria a entrar no porão, pois era o seu destino, estava em seu sangue. Contudo o tio deixou que isso ocorresse naturalmente, pois se esse fosse o seu destino, assim teria que ser. O que você faria se soubesse o inevitável? São coisas como estas que fazem a diferença entre a história e a realidade, a verdade e a mentira, mas Mellowyng era um mago e não fugiria de tal responsabilidade como esta.
Foi assim que o mago descobriu tal feito, ainda no porão com a feiticeira discutindo sobre o destino do menino, quando foi surpreendido pela pedra que brilhava tão intenso quanto aos teus olhos ao ver aquilo. A Paladíra brilhava tanto quanto ou até mais que a luz, pois com todo o brilho, era possível ver agora os detalhes e defeitos que o porão tinha, embora não fossem notados Por eles.
Mellowyng e Hanffield podiam ver na pedra o destino do garoto. A Paladíra possui vontade própria, é incorruptível, pois seu poder pode ser usado tanto para o bem, quanto para o mau. A pedra é capaz de mostrar as lembranças, o passado, o presente, o futuro e o destino de quem a usa, embora também pudesse fazer a vontade de quem a usa se a mesma também fosse à dela.
Os dois se deslumbravam ainda mais com a Paladíra. Mellowyng podia ver Güibbi entrando no porão e desenrolando o pano da pedra, até que surge um flash de luz e não vêem mais nada. O mago e a feiticeira se entreolharam muito naquele momento, pois apesar do mago estar contente por saber que Güibbi seguiria o seu destino, sabia que o novo mundo seria tão misterioso quanto o porão, porém como em qualquer outra circunstancia, é perigoso quando não se sabe que corre um grande perigo. O mago ao sair, sabia que não teria nada a fazer, saiu por acaso, afinal essa não é a primeira vez que Mellowyng deixa Güibbi sozinho, apenas aconteceu desta vez porque era para ser assim, ou então seria como das outras vezes que o tio voltava e lá estava o jovem limpando os móveis de sua casa.
Assim Mellowyng na porta de sua casa, pensava se chegara à hora de Güibbi ou se seria como das outras vezes, então abriu a porta e viu de relance a sala. A princípio nada anormal, mas não via o sobrinho, então decidiu sair à procura do jovem.
─ Güibbi... Güibbi!
A casa parecia estar vazia, não havia resposta, então chamou o jovem novamente.
─ Güibbi... Você está ai? Güibbi!
O jovem não respondia. Mellowyng temia que a verdade fosse à tona, andava pela casa procurando o sobrinho. Procurava por todos os cômodos, mas ainda não via o garoto, até perceber que os móveis da casa não estavam limpos, coisa que o garoto sempre fazia ao chegar da escola, e também nas férias, pois Güibbi mesmo nas férias permanecia na mesma rotina. Não sabia mais o que fazer, então foi em direção ao porão, porque ainda tinha a esperança de que o jovem não havia feito tal coisa.
Naquele momento viu o porão com a porta ainda um pouco aberta trilhando uma luz que seguia em direção reta, até que finalmente a encontrou. O pensamento de Mellowyng não mudava, sabia que Güibbi encontraria a verdade e culpava-se por isso, culpava-se por não ter feito nada a respeito. Foi logo ali que aconteceu, viu a Paladíra desenrolada do pano e ainda brilhando com se estivesse avisando que o garoto á havia encontrado.
─ Por trinta Dragões! Güibbi corre um grande perigo! Se Óggi o encontrar, estará tudo perdido.
Mellowyng estava inconformado, estava sem reação, sem chão. Olhava para os lados e para si mesmo procurando uma resposta, na esperança de que a casa lhe mostrasse algo, até ver a chave do porão ainda na porta.
Olhando a chave, lembrava-se agora que a mesma sempre ficava sobre a guarda de Hanffield, a esperança renascia em Mellowyng que pensava agora, se a coruja estava na casa. Subiu escadaria procurando e chamando pela mesma, enquanto isso tentava se acalmar a fim de encontrar um jeito de socorrer o garoto.
O mago andava pela casa, mas nenhum sinal da coruja, então fez o que qualquer pessoa nesta situação faria, pois agora o que mais prevalecia em Mellowyng, era a condição de tio. Neste momento, a casa ficava definitivamente sozinha, Mellowyng pegou seu cavalo, desengatou da carroça e saiu à procura da coruja. Talvez estivesse pensando agora se Hanffield também fora apalatada pela pedra e o garoto estivesse por aí andando, ou então na casa do amigo, ou se então tenha os dois entrado pelo portal e estivessem tentando voltar.
Muitos pensamentos atormentavam o mago que agora se sentia mais tio do que nunca. O mesmo atravessava a vila procurando o garoto, embora pressentisse que o jovem já não estava mais ali. As pessoas ao verem o velho passar em cima de um cavalo, estranhavam o feito, pois nunca o viram passar montado em cima de um cavalo, o velho sempre passava na carroça, mas agora em cima de um cavalo mostrava-se mais poderoso do que já estavam acostumados a ver.
Montado em um cavalo andava em passos lentos, mas não chamava pelo garoto. Mellowyng passava agora pelo único caminho que era possível entrar ou sair da vila. As pessoas o estranhavam ao passar, pois a medida que o sol brilhava, podiam perceber que existia algo diferente naquele velho senhor que morava na ultima casa da vila.
Os dois passavam agora por um corredor imenso de vegetação única e arvores muito alta, o único caminho a ser percorrido por quem quisesse se adentrar no vilarejo. As pessoas já não os olhavam, pois não havia pessoas, os moradores da vila não costumavam passar sempre por aquele caminho, mesmo sabendo que aquele era o único acesso à cidade. Mellowyng e seu cavalo passavam em uma pequena floresta que separava a cidade da vila. O caminho era relvado, com flores e pedras em sua saliência. O orvalho ainda escorria das folhas das arvores, pois mesmo que já fosse dia, ao se adentrar na pequena floresta, a sensação é de que ainda era noite.
A grama ainda estava molhada, o lugar parecia bem fresco, Mellowyng começava a sentir a magia do lugar tomando o teu ser. O frescor das arvores, os perfumes que eram exalados pelas flores e o som da floresta. O mago juntamente com o seu cavalo estava parado em frente a uma grande arvore, talvez a maior assim pudesse pensar Mellowyng, ou então não escolheria o lugar assim presuma eu, definitivamente desceu do cavalo e olhou novamente a arvore, a mesma parecia ainda mais imponente aos olhos dele que agora com os pés no chão sentia que a arvore era ainda mais alta à medida que a olhava.
Ainda com os olhos fixados na arvore, Mellowyng sentia que estava ainda mais perto de casa, sua verdadeira terra, um pedacinho de Dargon em Capíli. Podia lembrar agora de um dos amigos, um ente da floresta, um guerreiro de Dargon que o ajudou nos tempos difíceis. O mesmo olhava toda a vastidão que estava sobe sua cabeça e via que havia muitos galhos, folhas, pássaros e também um buraco na ultima parte do tronco, a mais alta extremidade do tronco antes de chegar aos galhos, até que seu pensamento é interrompido pelo relinchar do cavalo, então Mellowyng solta o animal que logo desaparece em meio à floresta.
Neste momento o mago ficava sozinho, ele e a floresta até que resolveu chamar pela coruja, então Mellowyng chama pela mesma, mas nenhuma resposta se ouvia. O vento parava como se a floresta sentisse o momento de aflição que o velho passava. O sol se escondia como se a escuridão da floresta barrasse a luz e não permitia que a felicidade penetrasse. Isso é bem fácil de comparar, é como se o que verdadeiramente se busca fosse representado pelas estrelas que brilham no céu. A felicidade é representada pelo dia e a tristeza à noite, a estrela sempre brilhará lá no céu, coisa que sempre buscamos o objetivo, porém, só a enxergamos nos momentos de tristeza, embora estejam tão longe, mas só encontramos forças em nós mesmos quando dependemos de nós mesmos, pois só se sabe a força que tem, quando se depende desta força, e com Mellowyng não era diferente.
O mago sentou-se à beira da arvore que parecia vigiar o lugar, e ergueu o cajado, porém o mesmo não poderia fazer nada naquele momento, pois não funcionaria naquele mundo, o cajado só funciona em Dargon. Mellowyng se lembrava muito de suas aventuras, e o que mais detestava era a escuridão, então desceu o chapéu e retirou do mesmo uma Paladíra, a mesma usada por Güibbi, então o mesmo a desenrolou do pano e a fez brilhar , uma luz imensa iluminou o lugar, talvez mais forte que a luz do sol, assim pensava ele que estava muito perto.
As esperanças renasceram em Mellowyng que se sentia ainda mais forte por estar perto da luz. Não existia uma só sombra, o lugar era tão iluminado quanto lá fora, os pássaros voavam das arvores que ali tinham, as arvores começavam a balançar como se sentissem a magia que existia ali voltar através da pedra. Imediatamente todo o cenário voltou, como se a vida tivesse sido entregue de volta a floresta. Então de repente Mellowyng por som de passadas, estas muito fortes como se estivessem marchando ou talvez correndo, mas estas não eram simples passadas, estas eram de Sferavish.
O cavalo voltava tão rápido quanto a luz que tomou conta de todo o lugar, e com ele, lá no céu vinha Hanffield, nesse momento Mellowyng podia ver o céu se abrindo diante dos teus olhos. As arvores se abriam deixando um caminho para a coruja passar. A luz refletia na pena da mesma como a luz do amanhecer, a luz era muito forte, a floresta se enchia de alegria, Mellowyng já podia ouvir novamente o som dos pássaros, o balançar das arvores e também o relinchar do cavalo.
Hanffield descia numa velocidade sem tamanho. Tinha muita pressa, então pousou e voltou a sua forma real humana. Porém no mesmo momento a Paladíra parecia mostrar algo.
─ Por trinta Dragões! Olhe! (Disse o mago).
Hanffield e Mellowyng olharam e viram Güibbi na caverna, mas o garoto não estava sozinho, ali com ele na escuridão da caverna havia duas criaturas, mas embora não soubessem se o garoto realmente estava seguro Mellowyng mudou o semblante ao saber que o garoto estava vivo, então Hanffield interrompeu.
─ A hora dele chegou! Não pude fazer nada para impedi-lo, e se o fizesse colocaria tudo a perder, ele pegou a chave do meu pescoço quando ainda estava em forma de coruja e abriu o porão. A essa altura já deve estar próximo de Drellfuor, estou te procurando a horas, onde estava?
─ Eu me atrasei! Na verdade sabia que não haveria modo algum de evitar, e ainda assim insisti... Eu falhei.
─ Não pense assim. (Disse a feiticeira). Não se esqueça! Ainda me lembro bem daquela vez que vimos o destino dele ser traçado pela pedra. Eu vi Mellowyng... Há exatamente treze anos, tudo isso passar diante dos meus olhos.
─ Por trinta Dragões! Precisamos de ajuda. Não há outra coisa a se fazer, termos que ir atrás de Güibbi, corrigir o passado, ou realizar o futuro, venho a treze anos esperando por isso, mas não estaremos sozinhos, não desta vez.
─ Hanffield! Sabe o que fazer, ele tem o direito de saber!
Então novamente olhou a pedra, a mesma brilhava ainda mais, porém esta ainda não seria a ultima vez.
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